Tumores Benignos – Odontogênicos – Odontoma – Composto / Complexo

Odontoma – Composto / Complexo

Características Gerais

São malformações de tecido odontogênico que apresentam diferentes estágios de diferenciação histológica e morfológica. Caráter benigno. A organização dos componentes tissulares pode variar desde massas inclassificáveis de tecido dental (odontoma complexo) até múltiplos dentes formados (odontoma composto).

Características Clínicas

É o tumor odontogênico mais freqüente (aproximadamente 67%) e normalmente interfere na erupção normal de dentes permanentes. Em geral aparecem na segunda década de vida. Os odontomas compostos aparecem mais na região anterior superior; já os complexos na região de primeiros e segundos molares inferiores. Pouca diferença de prevalência em relação ao sexo. Assintomáticos, em geral do tamanho de uma coroa dental, dificilmente provocam abaulamentos, sendo detectados no exame radiográfico de rotina.

Características Radiográficas

Odontoma composto – apresenta-se como uma série de estruturas dentiformes e rodeadas por halo radiolúcido.

Odontoma complexo – zona radiolúcida bem definida que contém uma ou várias massas irregulares de tecido calcificado. O conteúdo destas lesões é fundamentalmente radiopaco, com radiopacidade maior que os fibromas.

Ambas as lesões apresentam limites bem definidos, podendo ser lisos ou irregulares e tem bordo hiperostótico.

Diagnóstico Diferencial

· Odontoma composto – imagem bem característica;

· Odontoma complexo – fibroma ossificante ou cementificante, tumor odontogênico adenomatóide, cisto odontogênico calcificante, displasia cementária periapical, tumor odontogênico epitelial calcificante.

Tratamento

Ressecção cirúrgica. Geralmente não são invasivos e não recidivam.

Tumores Benignos – Não Odontogênicos – Condroma

 

Condroma

Características Gerais

Tumor cartilaginoso benigno, relativamente freqüente em outras zonas do esqueleto. Raras vezes afeta os maxilares. Os condromas que se desenvolvem nos tecidos orais crescem lentamente e são localmente invasivos. Acredita-se que o tumor pode se desenvolver de vestígios cartilaginosos dos ossos membranosos ou do tecido condrogênico destes ossos.

Características Clínicas

Mais na quinta e sexta década de vida (embora possa ocorrer em qualquer idade). Um pouco mais freqüente na região anterior de maxila e em homens. Na mandíbula ocorre mais na região de sínfise e pré-molares e molares. Pode aparecer no côndilo e no processo coronóide dificultando a função mandibular. Um achado clínico precoce pode ser o deslocamento dentário, sendo que os dentes chegam a se desprenderem dos alvéolos.

Características Radiográficas

Imagem radiolúcida e irregular reflete sua natureza destrutiva. Seus bordos podem ser nítidos, desiguais e pouco definidos. Também podem apresentar opacidades na zona osteolítica. Pode haver reabsorção das raízes dentárias afetadas.

Diagnóstico Diferencial

Condrossarcoma, sarcoma osteogênico, carcinoma metastático osteoblástico, hemangioma subperióstico ossificante, displasia fibrosa e fibroma periférico com calcificações.

Tratamento

Preconiza-se a ressecção com margem de segurança pois existe tendência a malignização

Tabela de Cisto

TABELA DE CISTO

 

Cisto Origem Características Idade/Sexo Tratamento Localização Anatômica Radiograficamente
Odontogênico- Inflamatório- Cisto Periapical Restos epiteliais de Malassez do ligamento periodontal Assintomático ; Crescimento lento e contínuo; Mais comum; Perda de vitalidade 2ª a 3ª década /

Feminino e Masculino

Endodôntico-Apicetomia;Cirúrgico;

Marsupialização

Reabsorção radicular externa; Localização relacionada ao ápice radicular Radiolúcida;

Densidade homogênea;

Arredondada ou Ovalada; Corticalizada; Descontinuada da Lâmina Dura

Odontogênico- Inflamatório- Cisto Radicular Lateral Restos epiteliais de Malassez do ligamento periodontal Assintomático ; Crescimento lento e contínuo; Mais comum; Perda de vitalidade 2ª a 3ª década /

Feminino e Masculino

Endodôntico-Apicetomia;Cirúrgico;

Marsupialização

Canal Acessório Radiolúcida;

Densidade homogênea;

Arredondada ou Ovalada; Corticalizada; Descontinuada da Lâmina Dura

Odontogênico-  Inflamatório- Cisto Residual Proliferação de restos epiteliais odontogênicos residuais de um dente extraído Crescimento contínuo após a exodontia; Assintomático; Não produzem deformidade nas placas corticais; Produz um líquido cístico ambarino. Mais homens de idade média avançada Enucleação;

Marsupialização ou descompressão.

 

Maxilar superior Radiolúcida;

Circular ou Ovalada

Odontogênico- Cisto gengival do recém nascido Remanescentes da lâmina dentária (restos de Serres)

 

Assintomático; rompimento espontâneo pouco tempo depois de surgir

 

recém-nascidos

 

Não há indicação de nenhuma terapêutica específica para o tratamento dos cistos gengivais. Localizados nos rebordos alveolares dos maxilares

 

Radiolúcida;

Circunscrita;Arredondada ou Ovalada

- Halo radiopaco

 

Odontogênico- Cisto Dentígero Associado a coroa de um dente não erupcionado. (dente normal ou supra numerário), prendendo-se em seu colo. (Epitélio reduzido do

órgão de esmalte)

 

 

Crescimento lento; Assintomático,

Grandes perdas ósseas, Expansão da cortical e Deslocamento de dentes vizinhos.

 

Adolescentes e adultos jovens.

Feminino e Masculino

 

Cirúrgico; marsupialização,

 

Colo da coroa associada em maior porcentagem a 3os molares inferiores, (caninos superiores, prémolares inferiores e 3os molares superiores.)

 

Radiolúcida; Bem delimitada,

Unilocular, Halo radiopaco; Dentes adjacentes com reabsorção; Perdas ósseas, Expansão de cortical óssea

 

Odontogênico- Cisto de erupção Associado a um dente em erupção. acúmulo de exsudato,

 

freqüência hemorrágica; lesão extra-óssea; gengiva com a cor azulada

 

Jovens

Feminino e Masculino

O dente erupciona e a lesão desaparece ou ulotomia Localizada entre o epitélio reduzido do

órgão de esmalte e a coroa do dente

 

Aspecto escuro (tecido mole), não afeta o tecido ósseo, exceto quando sofre uma dilatação, abrindo uma cripta que pode ser vista radiograficamente.
Odontogênico- Cisto Periodontal Lateral Epitélio reduzido do esmalte,

remanescentes da lâmina dental e

restos de Malassez.

 

Intra ósseo; Assintomático ; Massa evidente na superfície vestibular da raiz; Vitalidade pulpar; Quarta década

50 e 70 anos

Feminino e Masculino

Enucleação cirúrgica

 

Superfície lateral de um dente erupcionado nas áreas de pré-molares e caninos

inferiores, seguido pela região anterior da maxila.

 

Radiolúcida; Arredondada ou ovóide ; Circunscrita; Halo radiopaco;

1cm de diâmetro entre o ápice e margem cervical do dente.

Odontogênico- Cisto Gengival do Adulto Epitélio reduzido do esmalte; remanescentes da lâmina dental e Restos de Malassez.

 

Extra ósseo; Assintomático; Vitalidade pulpar Quarta década

 

Excisão cirúrgica.

 

Nas áreas de pré-molares e caninos inferiores, seguido pela região anterior da maxila.

 

Pode  não ocorrer alteração radiográfica alguma, ou existir apenas uma leve sombra arredondada indicativa de erosão óssea

superficial.

 Cisto Glandular Remanescentes de epitélio glândulas (glândulas mucosas).

 

Assintomáticos; Alguns pacientes relatam obstrução, gotejamento pós-nasal, cefaléia, sintomas de resfriado e, às vezes, intumescimento do lábio superior Maior incidência na terceira década de vida e é duas vezes mais freqüente nos homens que nas mulheres Normalmente não necessitam de tratamento, pois se resolvem espontaneamente.

Considerar intervenção cirúrgica quando existir evidência de dor persistente, cefaléia ou expansão

Encontrados na fase vestibular e lingual do rebordo

alveolar

 

Opacificação em forma de gomo, de bordas suaves, com radiopacidades leves, sem margens escleróticas;

Base estreita: cisto seroso;

Base ampla: cisto mucoso;

 

Cisto Primordial (Queratocisto)

(TUMOR)

Originário

do epitélio odontogênico, origens principais: da lâmina dentária ou seus

remanescentes e de extensões das células basais do epitélio bucal sobrejacente.

 

Assintomático;

Ou tumefação e relato de dor.(quando aumenta de tamanho)

 

Mais comum em homens do que em mulheres; Entre a 2ª e 3ª décadas

 

Enucleação; Marsupialização;

Cirúrgico

A mandíbula é mais envolvida em relação à maxila, ocorrendo a maior freqüência na região de 3º molar inferior (76%)

 

Lise óssea radiolúcidas; Arredondadas ou ovóides, Uni ou

Multiloculares; Com contornos nítidos (halo radiopaco); Pode apresentar limites difusos; Expansão de cortical óssea, do canal alveolar inferior; Reabsorção

de cortical, bem como a perfuração óssea.

Odontogênico – Cisto Calcificante

(TUMOR)

Unicística simples;

Produtos de odontoma;

Epitélio ameloblastomatoso

Intra-óssea, assintomático, Aumento de volume,

 

Média da de idade 33 anos; Feminino e Masculino Enucleação cirúrgica

 

Maxila e mandíbula (região anterior).

 

Radiolúcida;

De contorno regular;

Bem demarcado.

 

Diagnóstico de Imagem – Panorâmica

Radiografia 04

RADIOGRAFIA PANORÂMICA Nº 4

Ausência dos elementos: 18 / 28 / 38 / 48.

Imagem sugestiva de restauração oclusal metálica, nos elementos: 24 / 35, 37.

Imagem sugestiva de restauração proximal metálica, nos elementos: 16, 12, 11 / 21, 22.

Imagem sugestiva de restauração mésio-ocluso-distal metálica, no elemento: 14.

Imagem sugestiva de restauração ocluso-distal metálica, no elemento: 23.

Imagem sugestiva de material estético (terço médio, incisal), nos elementos: 13, 12, 11 / 21, 22/ 31, 32, 33 / 41, 42,43. *

Imagem sugestiva de coroa unitária metálica (e/ou estética) nos elementos: 17, 15 / 25, 26, 27 / 34 / 44, 45, 46, 47.

Imagem sugestiva de pino radicular e núcleo metálico, nos elementos: 15 / 25, 26, 27 / 34 / 44.

Imagem sugestiva de coroa parcial estética no elemento: 36.

Imagem sugestiva de tratamento endodôntico nos elementos: 15 / 25, 26, 27 / 34.

Imagem sugestiva de implante dentário dos elementos: 45 e 46.

  • Nota-se uma leve reabsorção óssea horizontal, nas arcadas superior e inferior.
  • Nota-se uma rarefação óssea nos ângulos da mandíbula, e na região do 34, 35 na base da mandíbula.

Radiografia 6

 

RADIOGRAFIA PANORÂMICA Nº 6

Ausência dos elementos: 18, 17, 13 / 25, 27, 28 / 37, 38 / 45, 48.

Imagem sugestiva de tratamento endodôntico nos elementos: 16, 15, 14, 11 / 21, 22, 23, 24, 26 / 34 / 44.

Imagem sugestiva de coroa unitária metálica (e/ou estética), nos elementos: 16, 15, 11 / 21, 22, 23 / 36, 35, 34 / 44, 46, 47.

Imagem sugestiva de pino radicular metálico, nos elementos: 16, 15, 14, 12, 11 / 21, 22, 23, 24.

Imagem sugestiva de pôntico dos elementos: 13 / 25.

Imagem sugestiva de elementos pilares: 14, 12 / 24, 26.

Imagem sugestiva de implante dentário dos elementos: 46 e 47.

  • Nota-se pneumatização do seio maxilar
  • Nota-se uma leve, reabsorção óssea horizontal nos elementos ausente, 13 e 25 , e na arcada inferior;
  • Nota-se uma rarefação óssea apical nos elementos: 21, 23 / 32, 34 / 44.

Radiografia 11

RADIOGRAFIA PANORÂMICA Nº 11

Ausência do elemento: 48.

Imagem sugestiva de restauração oclusal metálica, nos elementos: 17, 16, 15, 14 / 24, 25, 26, 27, 28 / 34, 35, 36, 37, 38 / 44, 45, 46, 47.

Imagem sugestiva de tratamento endodôntico nos elementos: 46 e 45.

  • Não nota-se reabsorção óssea horizontal nas arcadas superior e inferior
  • Não há pneumatização do seio maxilar
  • Nota-se uma leve rarefação óssea vertical no elemento 26
  • Nota-se uma rarefação óssea na região do elemento 46

Radiografia 12

RADIOGRAFIA PANORÂMICA Nº 12

Ausência dos elementos: 18, 17, 16 / 28 / 38, 37, 36, 35, 34, 32, 31 /41, 43, 44, 45, 46, 47, 48.

Imagem sugestiva de restauração oclusal metálica, no elemento: 24

Imagem sugestiva de pino radicular e núcleo metálico e núcleo para prótese fixa, nos elementos: 14, 13

Imagem sugestiva de tratamento endodôntico nos elementos: 14, 13 / 23.

Imagem sugestiva de raiz residual do elemento: 15.

Imagem sugestiva de implante dentário dos elementos: 12, 11 / 21, 22, 26, 27 / 33 / 42.

Imagem sugestiva de ligação metálica para suporte de prótese parcial dos elementos: 42 e 33.

  • Nota-se reabsorção óssea horizontal em toda arcada superior e levemente na arcada inferior, mais acentuada na região de molares no quarto quadrante da arcada inferior.
  • Nota-se rarefação óssea vertical na região dos incisivos a pré-molares do primeiro quadrante e na região de molares do segundo quadrante da arcada superior
  • Nota-se uma leve rarefação óssea na base da mandíbula do quarto quadrante.
  • Nota-se um fio metálico que sugere prótese parcial removível.

Radiografia 14

RADIOGRAFIA PANORÂMICA Nº 14

Ausência dos elementos: 14, 15 / 26, 27 / 34, 37 / 46, 47.

Imagem sugestiva de raiz residual do elemento: 17 / 25.

Imagem sugestiva de material estético, nos elementos: 13 / 21.

Imagem sugestiva de tratamento endodôntico nos elementos:  11, 12, 13, 16, 17 / 21, 22, 23, 24.

Imagem sugestiva de coroa unitária metálica (e/ou estética) nos elementos: 11, 12, 16 / 22, 23, 24.

Imagem sugestiva de pino radicular e núcleo metálico e núcleo para prótese fixa, nos elementos: 11, 12 / 22, 23, 24.

Imagem sugestiva de restauração oclusal metálica, nos elementos: 36, 38 / 44, 45.

  • Nota-se reabsorção óssea horizontal na arcada superior
  • Nota-se rarefação óssea periapical no elemento 13
  • Nota-se condensação óssea cervical doelemento 28
  • Nota-se condensação óssea acima do canal da mandíbula, referente ao elemento 37

Radiografia 18

RADIOGRAFIA PANORÂMICA Nº 18

Ausência dos elementos: 11, 12, 14, 16 / 21, 22, 24, 25, 28 / 38 / 44, 48.

Imagem sugestiva de prótese parcial fixa nos elementos: 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17 / 21, 22, 23, 24, 25, 26 / 43, 44, 45.

Imagem sugestiva de tratamento endodôntico nos elementos: 13, 15, 17 / 23, 26 / 34 / 45.

Imagem sugestiva de restauração proximal estética, nos elementos: 31, 32, 33, 35 / 41, 42

Imagem sugestiva de restauração oclusal metálica, nos elementos: 18 / 27 / 35, 36, 37 / 46, 47.

Imagem sugestiva de pôntico dos elementos: 11, 12, 14, 16 / 21, 24, 25 / 44

Imagem sugestiva de elementos pilares: 13, 15, 17 / 23, 26 / 45

  • Nota-se reabsorção óssea nas arcadas superior e inferior
  • Nota-se pneumatização do seio maxilar.

Cistos

Lesões Radiolúcidas

  • Estrutura Normal Anatômica
  • Artefato (sobreposiçao)
  • Patologia
  1. Congênita
  2. De desenvolvimento
  3. Adquirida

Processo Inflamatório

  • Intensidade do processo inflamatório
  • Tempo de duração
  • Capacidade orgânica de defesa
  • Diferente padrões da imagem

CISTOS

Cavidade Patológica no interior dos tecidos, revestida por epitélio, apoiada em um tecido conjuntivo contendo em seu interior material fluído ou semi-sólido.

Etiologia

  • Forma-se a partir dos restos epiteliais embrionários.
  • Na maxila e mandíbula representado por remanescente da lâmina dental, órgão do esmalte.

Características

  • Lesão crônica
  • Crescimento lento e contínuo
  • Assintomática
  • Pode apresentar abaulamento das corticais

Aspectos Radiográficos

  • Lesão com imagem radio-lúcida circunscrita
  • Forma arredondada ou ovalada
  • Densidade homogênea
  • Halo radiopaco (esclerose óssea)

Classificação

  • De acordo com o epitélio formado da lesão
  1. Odontogênicos (restos epiteliais assoc. a odontogênese)
  2. Não odontogênicos
  3. Pseudo-cistos ( c/ aspecto radiográfico semelhante a um cisto verdadeiro)

Cisto Odontogênico

Oriundos de restos epiteliais que participam da formação do órgão dental

DESENVOLVIMENTO

  • Gengival do recém nascido
  • Dentígero
  • De erupção
  • Periodontal lateral
  • Gengival do adulto
  • Glandular

Inflamatório

A partir de 3 cm, é um cisto com conteúdo líquido

  • Radicular (apical/lateral)
  • Residual (paradental)

Cisto Odontogênico Inflamatório

Radicular (apical periodontal)

Residual radicular

Paradental

Cisto Periapical

Característica

Origem

Proliferação dos restos epiteliais de Malassez do ligamento periodontal – inflamatório

  • Mais comum (65%)
  • Assintomático
  • Crescimento lento e progressivo
  • Perda de vitalidade
  • Reabsorção radicular externa (comum)
  • Época 2ª a 3ª década
  • Localização: relacionada com ápice radicular
  • Sexo: *
  • Tratamento: Endodôntico (apicetomia, cirurgico, marsupialização)

Cisto Odontogênico de Desenvolvimento (Artigo)

Cistos Odontogênicos de Desenvolvimento               

 Equipe editorial Bibliomed 

Neste Artigo:-Introdução-Cisto Dentígero-Ceratocisto Odontogênico-Cisto Odontogênico Calcificante-Cisto Periodontal Lateral-Conclusão-Referências Bibliográficas

Introdução

Os cistos derivados dos tecidos odontogênicos são caracterizados como lesões de extraordináriavariedade. O complexo desenvolvimento das estruturas dentárias é refletido nessamultiformidade, uma vez que os cistos representam uma aberração em alguma fase dodesenvolvimento normal da odontogênese. É de extrema importância considerar que o fato da perfeita compreensão da patogênese dos cistos odontogênicos significa uma compreensão dahistogênese do dente.Os cistos dos maxilares foram classificados histologicamente pela Organização Mundial deSaúde, a partir da criação de um Centro Internacional de Referências e Classificação de lesões,em Copenhagen, em 1966. Esse centro teve como principal objetivo reconhecer a complexidadedeste grupo de lesões para que pudesse ser obtido cooperação internacional para a discussão edisseminação de conhecimento e idéias.Com raras exceções, no osso, cistos limitados por epitélio são observados somente nosmaxilares. Mesmo considerando que cistos possam ser resultados da inclusão de epitélio nalinha de fusão de processos embrionários, a maioria dos cistos dos maxilares é limitado por epitélio de origem odontogênica. Como pode ocorrer vários tipos de cistos, dependendo principalmente da fase da odontogênese em que se originam, houve inúmeras tentativas de seclassificar e criar um sistema de nomenclatura destas lesões. Uma classificação simples e prática é a seguinte: a) Cisto Dentígero; b) Ceratocisto Odontogênico; c) Cisto OdontogênicoCalcificante; d) Cisto Periodontal Lateral.

Cisto Dentígero

O cisto dentígero se origina depois da coroa do dente estar completamente formada, peloacúmulo de líquido entre a coroa do dente e o epitélio reduzido do esmalte. Uma outraexplicação possível de sua patogênese é a partir da degeneração do retículo estrelado, formandouma cavidade cística solitária à volta da coroa do dente. Este cisto, inicialmente esta sempreassociado à coroa de um dente incluso ou não irrompido. Odontoma complexo ou dentesupranumerário também podem estar envolvidos por um cisto dentígero. A localização maisfreqüentemente envolvida é a dos caninos e dos terceiros molares inferiores e superiores, sendoque raramente estão relacionados com dentes decíduos. Ainda que os cistos dentígeros possamacometer qualquer idade, ocorre ligeira predileção por pacientes entre 10 e 30 anos do sexomasculino, sendo que a prevalência é maior nos brancos do que nos negros. Freqüentemente, oscistos dentígeros pequenos são totalmente assintomáticos e descobertos somente com examesradiográficos de rotina principalmente quando busca determinar a causa da falha na erupção deum dente. Vale lembrar que o cisto dentígero é potencialmente capaz de se transformar em uma

lesão agressiva conseqüente de seu aumento de tamanho considerável podendo levar ate mesmoà expansão o osso na região afetada, causando uma assimetria facial.Radiograficamente, os cistos dentígeros se caracterizam como uma lesão radiotransparenteunilocular associada à coroa de um dente incluso com inserção na junção amelocementária.Observa-se também possível expansão óssea quando grande dimensão foi atingida. Não raro, alesão radiotransparente possui margem esclerótica e bem definida, porém um cisto infectado pode apresentar limites mal definidos. Os cistos dentígeros são capazes de causar deslocamentodo dente envolvido por distâncias consideráveis; assim como causar a reabsorção radicular dosdentes adjacentes erupcionados. A diferenciação de um cisto dentígero pequeno e um folículodilatado sobre a coroa de um dente incluso é uma tarefa difícil que exige conhecimento amplo por parte do profissional. Além disso, os aspectos radiográficos não são suficientes para sediagnosticar a lesão, uma vez que ceratocistos odontogênicos, ameloblastoma unilocular ediversos outros tumores podem apresentar imagem radiográfica idêntica à do cisto dentígero. Otratamento usual para o cisto dentígero é a enucleação cuidadosa do cisto e a remoção do denteincluso relacionado. Se a erupção do dente for viável, pode-se apenas fazer a remoção parcial da parede do cisto.

Ceratocisto Odontogênico

O ceratocisto odontogênico é um cisto odontogênico de forma distante que necessita atençõesespeciais devido às suas características clínicas e aspectos histopatológicos específicos. Oscistos que se caracterizam por possuir um epitélio de espessura uniforme e notável, superfície paraceratinizada, uma camada de células basais polarizada em paliçada e possuindo um padrãosemelhante a neoplasias, são conhecidos como ceratocistos odontogênicos. Há umaconcordância em geral de que os ceratocistos odontogênico se originam de remanescentescelulares da lâmina dental. Os ceratocistos podem ser encontrados em pacientes de idadesvariadas, desde muito novo aos idosos. Porém, 60% dos casos são diagnosticados em pacientesentre 10 e 40 anos. Ocorre uma predileção pelo sexo masculino e a mandíbula éconsideravelmente mais afetada do que a maxila. Assim como os cistos dentígeros, o ceratocistoodontogênico é uma lesão de caráter assintomático, sendo somente descoberta por examesradiográficos de rotina. Eles podem estar ou não associados a um dente incluso, e possuemconteúdo cístico espesso de aspecto branco leitoso. Uma característica importante para odiagnóstico diferencial com o cisto dentígero é o crescimento ântero-posterior do ceratocistoodontogênico, sem causar expansão óssea evidente.Os ceratocistos odontogênicos possuem como características radiográficas a presença de umalesão radiolúcida, unilocular ou multilocular com margem bem definida. Em pequena parte doscasos, um dente incluso pode estar envolvido na lesão, fazendo com que ocorra o diagnósticoerrôneo de cisto dentígero. A reabsorção das raízes dos dentes adjacentes irrompidos e odeslocamento de outros dentes são menos intensos do que a observada com os cistos radicularese dentígero. Devido à grande semelhança com o cisto dentígero, muitos ceratocistosodontogênicos são tratados de maneira semelhante aos outros cistos, isto é, a enucleação ecuretagem. Eles possuem alta recidiva, principalmente quando o cisto de localiza na porção posterior do corpo da mandíbula. Muitos cirurgiões recomendam a ostectomia periférica a fimde reduzir a freqüência da recorrência.

Cisto Odontogênico Calcificante

O cisto odontogênico calcificante é caracterizado como uma lesão insólita pelo fato de ter algumas características de um cisto e, também, muitos aspectos de um neoplasma sólido. Éconsiderada uma lesão incomum, que apresenta considerável diversidade histopatológica ecomportamento clínico variável e, embora alguns autores o classifiquem como um cisto comum,outros preferem considerá-los como uma neoplasia É uma lesão predominantemente intra-óssea

que acomete com a mesma freqüência a mandíbula e a maxila. Outra característica clínica é afaixa etária ampla dos pacientes, que vai desde a infância até a idade mais avançada, sendo amédia da de idade 33 anos. Essa lesão possui três variantes císticas: Tipo 1A, o tipo unicísticosimples; tipo 1B, o tipo produtor de odontoma; e o tipo 1C, o tipo proliferanteameloblastomoso. Além disso, o cisto odontogênico calcificante pode estar associado a outrostumores odontogênicos reconhecidos, como os odontomas. Contudo, tumores odontogênicosadenomatóides e ameloblastomas têm, também, sido associados com os cistos odontogênicoscalcificante. Classificação feita pela Organização Mundial de Saúde considerou o cistoodontogênico calcificante, com todas as suas variantes, um tumor odontogênico.Geralmente, o cisto odontogênico calcificante central apresenta-se como uma lesão unilocular radiotransparente bem definida, podendo também ser multilocular. Estruturas radiopacas nalesão, como calcificações irregulares ou como estruturas semelhantes a dentes, estão presentesem 50% dos casos. A lesão pode envolver um dente incluso, geralmente um canino, ou não estar relacionado a algum dente. A reabsorção radicular ou a divergência dos dentes adjacentes sãoobservadas com alguma freqüência. Devido à propensão da lesão para o crescimento contínuo,quando encontrada deve ser removida cirurgicamente. A ausência da recidiva depende daremoção total. O prognóstico para o paciente é bom. Quando o cisto odontogênico calcificanteestá associado com algum outro tumor odontogênico conhecido, como um ameloblastoma, otratamento e prognóstico são parecidos com os do tumor associado.

Cisto Periodontal Lateral

O cisto periodontal lateral é um cisto odontogênico raro, porém bem reconhecido.Caracteristicamente é um cisto que tem origem a partir de remanescentes da lâmina dental quese encontra em estado pós-funcional ou de restos do epitélio reduzido. Além disso, pode-sedizer que o cisto periodontal lateral constitui menos de 2% de todos os cistos limitados por epitélio nos maxilares. Estes cistos parecem desenvolver-se em associação íntima com asuperfície lateral de um dente erupcionados, com predileção pela área de pré-molares inferiores.O cisto periodontal lateral é, na grande maioria das vezes, assintomático, sendo detectadosomente através de exames radiográficos de rotina. Ocasionalmente, um exame clínico podedetectar uma pequena massa evidente na superfície vestibular da raiz, mesmo que a mucosasuprajacente esteja normal. Acomete com maior freqüência paciente entre 50 e 70 anos deidade; raramente pessoas abaixo de 30

anos. Na grande maioria dos casos, o cisto periodontallateral ocorre na região de incisivo lateral-canino e pré-molar inferior. É importante ressaltar que o dente associado possui polpa viva, a menos que esteja envolvido por outra causa.Radiograficamente, observamos uma lesão radiolúcida bem circunscrita, unilocular, localizadalateralmente à raiz de um dente. É uma lesão geralmente pequena que algumas vezes pode estar envolvida por uma fina camada de osso esclerótico. Faz-se necessário lembrar que ascaracterísticas radiográficas não são suficientes para o diagnóstico da lesão, uma vez que umceratocisto odontogênico localizado lateralmente à raiz de um dente possui característicasradiográficas idênticas. Além disso, um cisto inflamatório originado de uma lesão periodontalou até mesmo um cisto radicular inflamatório podem se apresentar similares ao cisto periodontallateral radiograficamente. A enucleação conservadora, isto é, a remoção cirúrgica do cisto econservação do dente associado, é a opção de escolha para o tratamento do cisto periodontallateral. Não há relatos de tendência recidiva desse tipo cisto após a excisão cirúrgica. Um caso bastante raro foi relatado em que um cisto periodontal lateral foi capaz de originar umcarcinoma de células escamosas.

Conclusão

Mesmo considerando que o cirurgião dentista dependa grandemente de habilidades técnicas, aênfase crescente na orientação biológica da prática da odontologia ressalta a necessidade de um conhecimento teórico abrangente da patologia bucal, principalmente daquelas lesões que estão presentes com grande freqüência no dia-a-dia do profissional. Os cistos odontogênicos sãoderivados do epitélio associado ao desenvolvimento do órgão dentário e, podem ocorrer váriostipos destes cistos, dependendo da fase da odontogênese na qual se originam. É de sumaimportância lembrar que o diagnóstico de qualquer dos cistos odontogênicos e sua identificaçãoexata quanto a sua classificação dependem de exame microscópico do tecido, juntamente com oestudo cuidadoso dos dados clínicos e radiográficos.

 

PALAVRAS-CHAVE:

cistos odontogênicos, ceratocisto, ameloblastoma, ostectomia

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